"Para montar um bom time de futebol amador, você tem que ir atrás de jogador de nível alto. Procurar os melhores em cada quebrada". A frase é de Sérgio Ricardo, presidente do Pioneer, da Vila Guacuri, e ilustra bem o universo do futebol de várzea em São Paulo.
TÉCNICO DA SELEÇÃO, MANO MENEZES VAI ESCOLHER DREAM TEAM DA VÁRZEA
- Mesmo criticado pelos resultados magros da seleção brasileira, o técnico Mano Menezes segue em alta no mercado publicitário. Após virar garoto-propaganda de uma ação da Nike para descobrir novos talentos, ele participará do processo seletivo dos melhores jogadores do futebol de vázea de São Paulo. O treinador da seleção irá escolher o Dream Team da Copa Kaiser 2012 e a equipe fará um jogo amistoso contra um time profissional de São Paulo em janeiro de 2013.
Na Copa Kaiser, principal torneio de futebol da Grande São Paulo, a busca por novos talentos é tão árdua que os olheiros das principais equipes viajam até 150 km para buscar novos jogadores. O motivo para isso é o tamanho do campeonato: são duas divisões, com 192 times cada e quase 8.500 jogadores inscritos.
"Quem joga a Kaiser já está marcado. Joga um ano por um time, no ano seguinte já está em outra equipe. E todo mundo sabe como ele joga", diz o presidente do Ajax da Vila Rica, Francisco Prince Ribeiro, o Kiko, ao explicar o seu processo de seleção.
Chamado de Corinthians da várzea por causa da paixão de seus torcedores, o Ajax foi eliminado nas quartas de final da competição em 2011. O resultado foi considerado abaixo do esperado e, para 2012, o time mudou quase tudo. Ficaram quatro jogadores.
"Tivemos que rodar os campos da várzea. Procuramos jogadores que não eram muito visíveis na Kaiser. Saímos pelos campos de outras cidades, Taubaté, São José dos Campos, Itaquá, Poá, e campos da Zona Sul. Rodamos São Paulo inteira. No final, selecionamos 40 jogadores, para chegar aos 22 que podiam ser inscritos", conta Kiko. "Foi uma peneira mesmo. Teve jogador que chegou a chorar. Mas tínhamos de fazer isso. Hoje, o time está voando".
No Pioneer, campeão de 2010, a busca não envolveu tantos quilômetros. "Os melhores jogadores da várzea estão disputando a Divisão Especial da Liga de Diadema, que é o melhor campeonato de São Paulo depois da Kaiser. Todos os jogadores estão lá. E eles jogam em Diadema pela manhã no domingo e saem correndo para jogar a Kaiser à tarde", fala Sérgio.
Enquanto alguns times buscam jogadores, outros perdem. Foi o caso do Classe A, atual campeão de São Paulo e da Copa Kaiser nacional, que viu seus principais destaques trocarem o time da Barra Funda por rivais. "Desde o meio do campeonato a gente sabia que ia perder alguns jogadores. Então, começamos a buscar novos jogadores, na Kaiser mesmo".