domingo, 3 de novembro de 2013

Piau… o peixe pintadinho de Guaimbé

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Eronides de Souza nasceu no distrito (atualmente emancipado desde 1954) de Guaimbé (SP), próximo a região de Getulina, no dia 6 de setembro de 1948. Ainda muito jovem, começou a correr atrás da bola na própria região de Getulina.
O dorminhoco Eronides jogava inicialmente como meia esquerda no time do Nove de Julho, destruindo os sistemas defensivos graças a sua habilidade e velocidade.
Então os companheiros o apelidaram de Piau, uma referência ao nome de um peixe pintadinho e muito esperto, que rouba a isca sem morder o anzol.
* O peixe Piau-três pintas vive principalmente nas margens de rios, lagos e na floresta inundada.
Crédito: xareu.com.br.
Crédito: xareu.com.br.
Eronides não gostou nem um pouco. Como apelido negado é sempre sacramentado, nunca mais voltaram a chamá-lo pelo nome e dessa forma o “Piau” passou a fazer parte de sua vida pessoal e esportiva.
Depois de uma partida onde Piau acabou com o jogo na cidade de Lins, olheiros de plantão da região não perderam tempo e levaram o “peixe pintadinho” para treinar no C.A. Linense.
Com apenas 16 anos, Piau já comia a bola e assim o fizeram assinar o popular contrato de gaveta (em branco).
Como a diretoria do Linense fixou seu valor em 50.000 cruzeiros, as rápidas passagens pelo Guarani, Juventus e Palmeiras (que chegou a oferecer 10.000 cruzeiros) não deram em nada.
Piau no XV de Piracicaba. Crédito: historiasdoxv.com. (Acervo Rocha Netto).
Piau no XV de Piracicaba. Crédito: historiasdoxv.com. (Acervo Rocha Netto).
Finalmente em 1966, o XV de Piracicaba ofereceu 35.000 cruzeiros e conseguiu bater o martelo. O sucesso chegou rápido e depois de apenas dois anos o Cruzeiro de Belo Horizonte estava disposto a pagar 300.000 mil cruzeiros.
Paralelamente, o São Paulo também demonstrou interesse pelo futebol de Piau. Mas o saudoso comendador D’Abronzo não queria nem ouvir esse tipo de conversa e por essa razão fixou o passe de Piau em estimados 400.000 cruzeiros.
Na partida decisiva do título da divisão de acesso de 1967, realizada em 17 de janeiro de 1968, no Estádio do Pacaembu, Piau foi o responsável por marcar um dos gols que deram o título ao alvinegro piracicabano, na vitória por 4 x 3 contra o Bragantino.
Nos anos seguintes, Piau continuou como um dos principais destaques do XV de Piracicaba, onde permaneceu até 23 de julho de 1970.
Antes da saída de Piau, o XV de Piracicaba passou por uma grande crise administrativa. Como reflexo da crise fora das quatro linhas, alguns jogadores que estavam se sentindo descontentes tiveram seus preços estipulados, entre eles estava Piau.
Portuguesa de Desportos em 1972.
Portuguesa de Desportos em 1972.
Emprestado para a equipe da Portuguesa de Desportos pelo prazo de 90 dias, a pedido do técnico João Avelino, o ponteiro esquerdo acabou ficando definitivamente no time rubro-verde.
Piau participou da inauguração do estádio do Canindé no começo do mês de janeiro de 1972, na excelente linha de ataque ao lado de Basílio e Cabinho.
A saída de Piau do Canindé aconteceu depois de uma derrota para o Santa Cruz por 1×0 no Parque Antarctica, pelo campeonato nacional de 1972. Conforme informações do site almalusa.net, apresento abaixo o trecho que trata da dispensa precipitada do jogador: 
… Foi o seu último jogo pela Portuguesa. Aquela data ficou conhecida como a “Noite do Galo Bravo”, pois o presidente Oswaldo Teixeira Duarte afastou seis jogadores do elenco: Marinho, Lorico, Hector Silva, Samarone, Ratinho, além do próprio Piau… 
Envergonhado, Piau quase não saia de casa a não ser ao lado do amigo Marinho, que também estava com os sentimentos em frangalhos. Aproveitando o “preço de liquidação”, o São Paulo não pensou duas vezes e levou Piau para o Morumbi.
Crédito: futeboldebotaoantigo.blogspot.com.
Crédito: futeboldebotaoantigo.blogspot.com.
Crédito: revista Placar - 14 de dezembro de 1973.
Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1973.
Pelo São Paulo, Piau começou a dividir a posição com Paraná, que quase em seguida deixou o Morumbi. Com uma forte inflamação nos músculos, originada nos tempos da Portuguesa, Piau ganhou peso, mas não perdeu a velocidade.
Crédito: revista Placar - 14 de dezembro de 1973.
Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1973.
Seu futebol, admirado pelo técnico Poy, não o impediu de levar um puxão de orelhas para emagrecer. Jogando como um “falso ponta”, fazendo a função de um quarto homem do meio-campo, Piau era peça importante no esquema de José Poy.
Crédito: revista Placar – 21 de março de 1975.
Crédito: revista Placar – 21 de março de 1975.
Depois do vice-campeonato da Libertadores da América em 1974, Piau foi emprestado ao Corinthians, fazendo apenas 22 jogos pela equipe do Parque São Jorge.
Retornou ao Morumbi a tempo de integrar o elenco campeão paulista de 1975. Devido a um problema crônico na cabeça do fêmur, Piau teve que abandonar a carreira em 1977, com apenas 29 anos de idade.
Crédito: revista Placar N° 286 – 19 de setembro de 1975.
Crédito: revista Placar N° 286 – 19 de setembro de 1975.
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Com a camisa do São Paulo F.C, em duas passagens, Piau disputou 154 partidas (73 vitórias, 55 empates, 26 derrotas). * Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.
Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (texto assinado por José Maria Aquino), site do Milton Neves, campeoesdofutebol.com.br, almalusa.net, gazetaesportiva.net, historiasdoxv.com, xareu.com.br, futeboldebotaoantigo.blogspot.com.
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Significado de Futebol de Várzea

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O que é Futebol de Várzea:

Futebol de várzea é um futebol jogado de forma amadora, sem muita organização. Várzea é uma gíria para designar algo informal, muitas vezes baixo nível, sem muita estrutura ou apoio, seja em relação a profissionais ou ao campo.
O termo futebol de várzea surgiu inicialmente em São Paulo, quando meninos jogavam futebol em campos feitos na várzea, ou seja, às margens do rio Tietê, antes mesmo do futebol se tornar um esporte profissional.
O futebol de várzea é aquele praticado nos campos de bairros, vilas e favelas, que não possui nenhuma estrutura. Os times de futebol de várzea praticamente pagam para jogar, por exemplo, quando têm campeonatos, uma vez que a maioria não possui nenhum patrocinador, então os jogadores têm que desembolsar dinheiro para se manterem.
Existem muitos jogadores, que atualmente são profissionais, que tornaram-se conhecidos jogando em futebol de várzea, como o jogador Damião, por exemplo. Mas esse é um raro exemplo, pis a maioria dos clubes profissionais ainda preferem contratar jogadores já profissionais.
Geralmente o jogador de futebol de várzea é aquele que utiliza o esporte apenas como diversão, que possui um outro trabalho fixo, e faz do futebol apenas uma atividade física, alguns sem nenhuma pretensão de tornar-se jogador profissional.
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FUTEBOL DE VÁRZEA!
Evento no Museu do Futebol dá destaque ao futebol varzeano
Publicado em 30 de agosto de 2013 às 17h42
Os amantes do futebol varzeano de São Paulo e os que têm interesse em conhecer mais sobre o tema terão uma boa oportunidade neste final de semana. O Museu do Futebol receberá um dos eventos do Encontro Estéticas das Periferias - Arte e Cultura nas Bordas da Metrópole.
No Museu do Futebol, localizado na entrada principal do estádio do Pacaembu, o público poderá acompanhar diversos curtas metragens sobre o futebol varzeano, além de exposição de camisetas dos times e um debate com o tema "Futebol e Periferia, entre a alienação e a identidade cultural”, com participação do poeta e cineasta Akins Kintê, o jogador dos Autônomos FC, Matusa, e um dos fundadores da Cooperifa e fotógrafo de Várzea, Marco Pezão. A mediação fica por conta do diretor da Bola & Arte, Carlos Carlos.O evento terá início às 9h30 da manhã e será gratuito.

Confira a programação completa:
9h30 – 10h: Abertura para exposição de Camisas de Várzea e Fotografia
10h - 11h30: Fala de abertura e sessão dos Curtas de Várzea

Contos da Várzea (Doc)
Direção: Diego Viñas, 23`- SP
Sinopse: "Contos da várzea" vai além das quatro linhas do terrão. Retrata o casamento perfeito da várzea, que busca seu espaço dentro da metrópole, e da periferia, que busca um refúgio para o lazer. Varzeanos e acadêmicos garantem este debate.

Eu sou a bola desse jogo (Fic)
Direção: Bruno César Lopes, 4’- SP
Sinopse: Vídeo experimental que coloca os cidadãos comuns, como a bola do jogo, ou seja, o principal alvo dos problemas da sociedade. A bola aqui é representada por uma mulher, que aos poucos vai mostrando suas crises e angústias.

A caminho da copa
Direção: Carolina Caffe e Florence Rodrigues, 26`- SP/RJ
Sinopse: O documentário "A Caminho da Copa", desenvolvido pelo Ponto de Mídia Livre Pólis Digital, aborda a diversidade de opiniões a respeito dos impactos, positivos e negativos, da preparação dos megaeventos no cotidiano das principais cidades brasileiras. Raquel Rolnik, Carlos Vainer, Juca Kfouri, Toni Sando, Vicente Cândido e moradores de São Paulo e Rio de Janeiro atingidos por obras urbanas ligadas aos eventos da Copa do Mundo e Olimpíadas são entrevistados no filme.

O muro (Fic)
Direção: Diego Florentino, 6’- PR
Sinopse: A bola de um garoto novo em um bairro cai no quintal vizinho. Na tentativa de resgatar o brinquedo, duela com o desconhecido.

Fome de bola (Doc)
Direção: Isaac Chueke, 20`- PE
Sinopse: Na quarta divisão do Campeonato Pernambucano um jogo leva milhares de torcedores ao campo, Santa Cruz e Sport Recife são o mote de torcedores fanáticos.

11h30 – 13h30: Visita mediada com os educadores do Museu do Futebol
14h30 - 15h30: Continuação das Sessões Curtas de Várzea

Futi mídia S\A (Doc)
Direção: CarlosCarlos, 40`- SP
Sinopse: O doc analisa os caminhos do mundo do Futebol e da Mídia na era corporativa. Ouvimos as opiniões de vários jornalistas renomados, sobre diversos assuntos, entre eles: Futebol – negócio ou paixão??

Várzea: A bola rolada na beira do coração (Doc)
Direção: Akins Kintê, 38`- SP
Sinopse: Antes que os campos de terra sejam todos engolidos pelo crescimento desenfreado desta grande metrópole. Este documentário vai de quebrada em quebrada dar voz a velha guarda do Futebol de Várzea, as chamadas “lendas vivas”.

15h30 – 17h00: Mesa de Debate "Futebol e Periferia, entre a alienação e a identidade cultural”. Participam do bate-papo o poeta e cineasta Akins Kintê; o jogador dos Autônomos FC Matusa; e um dos fundadores da Cooperifa e fotógrafo de Várzea, Marco Pezão. A mediação fica por conta do diretor da Bola & Arte, Carlos Carlos.

Serviço
Encontro Estéticas das Periferias
Onde: Museu do Futebol
Local: Auditório Armando Nogueira (capacidade 180 lugares)
Endereço: Praça Charles Miller, s/n
Data: 31 de agosto (sábado)
Horário: 9h30 às 17h
Quanto: gratuito